

há 21 horas


Há dez anos, Rihanna apertava o botão de reset na própria carreira e entregava ao mundo ANTI, um álbum que não pedia permissão para existir — e muito menos para agradar. Lançado em janeiro de 2016, o disco marcou uma virada artística definitiva, afastando a cantora da fórmula dos hits imediatos e aproximando-a de uma sonoridade mais crua, experimental e pessoal. Uma década depois, ANTI não só envelheceu bem: ele se consolidou como um dos trabalhos mais influentes do pop contemporâneo.
Uma ruptura consciente com o “pop de rádio”
Até então, Rihanna era sinônimo de singles certeiros, refrões explosivos e domínio absoluto das paradas. ANTI fez o movimento oposto. O álbum desacelerou, respirou e explorou silêncios, texturas e emoções menos óbvias. Era menos sobre agradar o algoritmo (que nem existia como hoje) e mais sobre liberdade criativa.
Faixas como “Consideration” (com SZA) já deixavam claro o novo manifesto: Rihanna queria autonomia, controle e espaço para errar. O disco flertava com R&B alternativo, soul, rock, dub e até psicodelia — tudo costurado por uma atitude desafiadora e intimista.
Destaques que viraram assinatura
Mesmo sem seguir a cartilha dos hits fáceis, ANTI entregou músicas que se tornaram icônicas:
“Work”, com Drake, dominou o mundo com seu dancehall minimalista e provou que Rihanna ainda sabia reinar nas paradas — do seu jeito.
“Needed Me” virou um hino de desapego e empoderamento silencioso, além de ser uma das faixas mais reproduzidas da carreira da artista.
“Love on the Brain” mostrou um lado vocal rasgado e emocional, frequentemente comparado a divas clássicas do soul, surpreendendo até os críticos mais céticos.
“Kiss It Better” e “Same Ol’ Mistakes” (cover do Tame Impala) reforçaram a ousadia estética e o flerte com o rock alternativo.
Impacto cultural e legado
O impacto de ANTI vai além dos números (embora eles sejam gigantescos). O álbum abriu caminho para que artistas pop de grande alcance se sentissem mais confortáveis em lançar trabalhos menos comerciais e mais autorais. Ele ajudou a redefinir o que significava “sucesso” na era do streaming: não apenas hits imediatos, mas longevidade, replay value e identidade.
Na carreira de Rihanna, ANTI também simboliza um ponto final — até agora — em sua discografia. Desde então, ela se tornou um fenômeno ainda maior fora da música, construindo um império com a Fenty e redefinindo padrões de beleza e inclusão na indústria da moda e da cosmética. O fato de ANTI ser seu último álbum de estúdio só amplifica seu status quase mítico entre os fãs.
Dez anos depois, ainda à frente do tempo
Revisitar ANTI em 2026 é perceber o quanto o álbum estava — e ainda está — à frente do seu tempo. Ele soa atual, relevante e emocionalmente honesto, como se tivesse sido lançado ontem. Mais do que um disco, ANTI é uma declaração artística: Rihanna no controle, sem pressa, sem medo e sem amarras.
Se o pop é cíclico, ANTI prova que algumas obras não giram — elas permanecem. E, dez anos depois, Rihanna ainda está vários passos à frente.





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