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‘Leviticus’: O novo fenômeno do terror onde o monstro tem o rosto do seu primeiro amor.

Se você achava que já tinha visto todas as vertentes possíveis do cinema de terror psicológico, prepare-se para olhar para trás.



Produzido pela Causeway Films (a mesma produtora responsável pelos aclamados O Babadook e Fale Comigo) e distribuído globalmente pela gigante indie NEON, o longa-metragem australiano Leviticus consolidou-se como um dos lançamentos mais assustadores, profundos e comentados do gênero.


Comandado pelo estreante Adrian Chiarella, o filme utiliza a estrutura clássica de produções sobre maldições inescapáveis (como Corrente do Mal) para tecer uma metáfora visceral sobre a homofobia institucionalizada, a culpa religiosa e o horror psicológico das pseudoterapias de conversão.


A Trama: Quando o Desejo Se Torna uma Sentença de Morte

Ambientado em uma pacata e industrial cidade do interior australiano, o filme acompanha Naim (vivido por Joe Bird, revelação de Fale Comigo) e Ryan (Stacy Clausen). À medida que a amizade dos dois floresce em um romance sutil e focado nas descobertas da juventude, a comunidade religiosa local descobre o segredo.

Sob os olhos complacentes de líderes locais e da própria mãe de Naim — interpretada com uma frieza assustadora pela estrela indicada ao Globo de Ouro Mia Wasikowska —, os jovens são submetidos a uma violenta sessão de "cura espiritual" comandada por um curandeiro.

O ritual dá terrivelmente errado e liberta uma entidade demoníaca invisível para o resto do mundo. A criatura passa a perseguir os garotos, mas com um detalhe sádico: ela se manifesta adotando a forma física exata da pessoa pela qual a vítima é atraída. Assim, os garotos são forçados a fugir de um monstro assassino que usa o rosto do seu primeiro amor.


Recepção Crítica e do Público: Um Sucesso Barulhento

Após uma estreia elogiada no Festival de Sundance, Leviticus chegou aos cinemas comerciais dos Estados Unidos e da Austrália e angariou uma forte bilheteria para o circuito alternativo, somando mais de US$ 2,75 milhões apenas em seu fim de semana de abertura.

A reação da crítica especializada tem sido extremamente positiva, destacando a habilidade de Chiarella em balancear o horror cru com a sensibilidade dramática:


  • A Crítica (IGN / Screen Daily): Elogiou fortemente a química natural entre os jovens protagonistas, apontando que o filme consegue criar um clima sufocante onde o verdadeiro monstro não é a força sobrenatural, mas sim o fundamentalismo dos adultos à volta deles.

  • A Atmosfera: Publicações como o jornal The Guardian celebraram a engenhosidade do roteiro ao inverter a ultrapassada lógica de que a homossexualidade seria o "pecado" que atrai o demônio; em vez disso, o filme estabelece que o preconceito da comunidade é o que cria a monstruosidade.


Previsão de Estreia no Brasil

Enquanto o filme assombra as salas norte-americanas, os fãs de cinema de gênero no Brasil aguardam ansiosamente pela data de lançamento oficial no país. Como os direitos internacionais pertencem à NEON, a expectativa do mercado exibidor brasileiro é de que o longa chegue aos cinemas nacionais por meio de distribuidoras parceiras focadas em cinema independente (como a Diamond Films ou a Paris Filmes).


Embora uma data exata ainda não tenha sido fixada pelas redes nacionais, especula-se que Leviticus chegue ao circuito de salas brasileiras ou diretamente via streaming de alta fidelidade (como o MUBI) no segundo semestre, aproveitando o forte apelo que os filmes de terror da Causeway Films tradicionalmente possuem no público do país.


Curiosidades de Bastidores

Trilha Sonora de Peso: Apesar de ser uma produção de baixo orçamento, a produção conseguiu a raríssima autorização do cantor Frank Ocean para utilizar a melancólica faixa "Self Control" em uma das principais cenas de transição romântica do filme, injetando uma dose pesada de modernidade à identidade artística da obra.


  • O Nome: O título faz referência direta ao livro bíblico de Levítico, comumente distorcido e utilizado como base para discursos de teor homofóbico e conservador.

  • Influências do Diretor: Adrian Chiarella revelou que a dinâmica de tensão mútua (não saber se a pessoa que você está olhando é o seu parceiro real ou o monstro imitando ele) foi diretamente inspirada no clássico de ficção científica e horror O Enigma de Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

  • Uso de Câmera Parada: Para emular o medo do invisível, a direção de fotografia utilizou o estilo do terror japonês tradicional (J-Horror), deixando a câmera estática apontada para cantos escuros e espaços vazios das locações para causar desconforto permanente no espectador.

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